sábado, 4 de setembro de 2010

 (Laerte)

Três horas. Três! Foi o que eu gastei para chegar no trabalho hoje. Absurdas três horas. Normalmente, dia de sexta, neste semestre, gasto em torno de uma hora, uma hora e meia, no máximo. O lugar é longe e o trânsito, às sextas, caótico.
Já testei caminhos alternativos, vias principais, horários diferentes, tudo... Se for véspera de feriado, não adianta.
Sorte que dia de sexta, eu tenho companhia. E que comprei CDs novos. Acho que esqueci de contar, mas fui à Galeria do Rock há umas duas semanas e comprei coletâneas do Pink Floyd, Bob Dylan e David Bowe. As duas primeiras são incríveis. A do David Bowe não gostei muito. Vou ouvir de novo para ter certeza.
Também não bebi água antes de sair. Então, consegui manter a razão até chegar ao destino. Dessa vez, não fiquei apertada. Só agoniada. E também não tinha nada pra beliscar. Só Halls (como sempre).
Sei lá, me vi pensando em tanta coisa. Uma delas em descansar. Preciso. Vou aproveitar o feriado para dormir um pouco. Amanhã não vai dar: tenho aula e preciso comprar um vestido para um casamento no domingo. É incrível como sempre preciso comprar roupa. Acho que os homens têm razão. Mulher tem fetiche por roupa. Eu juro que queria, ao invés de comprar, usar um dos meus vestidos chiquetosos. Mas estão apertados. Droga!
Ah! Continua super seco e quente. Nunca usei tanto hidratante na vida. Pelo menos a pele ficha cheirosa, macia e fresquinha.
Estou com vontade de comprar outros CDs e uns livros do Laerte. 
E sei lá, um sapato para combinar com o vestido que ainda não comprei. 
E uma passagem de ida para qualquer praia calma e tranquila longe desse trânsito. 
Só preciso de um cartão de crédito que eu não tenha de pagar a fatura.
Conhece algum assim? Me ligue, se sim.
Uma amiga me sugeriu casar com marido rico. Mas você sabe, não faz meu estilo. Melhor eu jogar na Mega-Sena. 
Acumulou, você viu?

E, como hoje está tudo misturado por aqui, um videozinho. Adoro esse tipo de humor...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sei lá, acho que qualquer dia desses eu apanho do "menino mais meigo do mundo".
Vez ou outra falo dele aqui. E, claro, ninguém sabe quem é.
Do jeito que tem de ser, aliás.
É que ele é a pessoa mais acanhada do mundo. E eu, claro, adoro ficar brincando com isso.
Mas, tudo tem limite, né? Por isso, acho que ele deve estar meio bravo comigo.
Um dia passa.
Enquanto isso, roubei uma ilustração no "site" do melhor amigo dele, que também pegou de outro lugar. Depois posto o link (agora estou com sono)!
Bom, dos meus quatro leitores, provavelmente, apenas dois vão entender, porque é bem coisa de menino-que-gosta-de-ficção-científica. 
Eu não sou menino, mas me encaixo no "gostar de ficção científica".
Aliás, amo!
Então, está aí. De Star Wars, direto pra você.
:P

UPDATE: o link

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Hoje, a cólica, literalmente, me derrubou . Mas, sério, não posso deixar de comentar, com cinco anos de atraso que, ontem, "Cinema, Aspirinas e Urubus" entrou na minha galeria dos "preferidos dos preferidos".
Há um tempo não assisto a um filme e saio tão satisfeita com o roteiro. Um primor, sabe? Tão simples, tão direto, tão bom...
Sem falar da direção.
Pois é, e eu ainda nem mencionei os atores. Aliás, a partir de hoje, assisto q.u.a.l.q.u.e.r  coisa em que o João Miguel (o Ranulpho, do filme) estiver participando.
Valer a pena não é mais a questão. Cinema, Aspirinas e Urubus é obrigatório.

(Cena do filme Cinema, Aspirinas e Urubus)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

 
O tempo está tão seco... difícil respirar. 
Já bebi tanta água hoje que, mais um pouquinho, viro um rio.
Sério!
Fora isso, tenho pensado muito sobre a maneira com que reajo às coisas. Sou tão medrosa.  Tão...
Eu sei que, para quem me conhece, ouvir (ou ler) isso, parece estranho. Normalmente, as pessoas me enxergam de uma outra maneira. Acho que é treino. Ou sei lá, engano.
De todo jeito, pelo menos, a percepção disso já não está passando tão longe de mim. Por isso, tomei algumas decisões. Entre elas, deixar que os momentos aconteçam mais naturalmente, ao invés de tentar impedi-los por medo.
O engraçado é que, na maioria das vezes, percebo a bobagem feita, segundos depois, e acho que não vale a pena consertar. E, às vezes, não tem mesmo conserto.
Ontem foi um exemplo. 
Deixei escapar uma oportunidade que, talvez, fosse, no mínimo, divertida. Mas o medo me fez reagir, ao invés de aceitar. Boba, né?
- É!

Então, por merecimento e pra dar coragem àqueles que, eventualmente, passam por aqui, o meu poema preferido. 
E que sempre leio quando preciso de uma nova direção.

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que estereliza os abraços.
Não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro
e medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas.
Cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 29 de agosto de 2010

 (Siegfried Zademack)

Depois de uma semana pra lá de corrida, cá estou eu, de novo, pra dizer que fui ao cinema e vi "A Origem". E que, como o esperado, não me surpreendeu.
Parece que eu vou sempre contra a corrente. Então, se eu não gostei, possivelmente, você irá gostar.
O conceito é antigo. Os argumentos, batidos e a história toda, pra variar, gira em torno de um amor mal resolvido. 
Não, eu não assistiria de novo, mesmo porque, aguentar o Leornardo DiCaprio por mais duas horas e vinte é tortura demais. O que me faz pensar se a idade está me deixando mais exigente, ou se é chatice mesmo...

Ah! Ganhei três DVD´s com toda a série clássica de Star Trek. E, possivelmente, vou ganhar os filmes. The Next Generation eu já vi toda, então, daqui a pouco, posso concordar com o status de Trekkie, sem me achar uma fraude.
:P

Perdi minha hablitação esta semana. Sumiu dentro de casa (acho). Isso me rendeu 4 horas de fila(s) no Poupa-Tempo. O detalhe é que justo no final daquele dia, o sistema caiu e os documentos não foram expedidos no dia seguinte, como de praxe. Ou seja, até agora, minha habilitação não ficou pronta. 
A pergunta é: o Poupa-Tempo poupa tempo de quem?

Tenho de trabalhar hoje, no domingo. 
Estou cheia de coisas pra fazer. Cheia mesmo. Pilhas. Mas é preguiça é tanta que, esses dias, eu estava me perguntando se não está na hora de arrumar um trabalho mais light e que me remunere melhor.
Resposta óbvia, né?

sábado, 21 de agosto de 2010

 (Vito Campanella)

Fui con-vo-ca-da para uma reunião hoje . Eu e um bando de gente. Já sei o assunto, mas eu vou, porque na da semana passada (!!!!!!), eu não fui.
Tenho aula todo sábado pela manhã e isso é importante para mim. Mas, hoje vou trocar uma coisa pela outra.
É o jeito.
Depois, tenho Conselheira Estelar. Pois é, no sábado... Porque sábado é o "meu dia" de folga. O dia que faço as minhas coisas.
Mas estou pensando em remarcar. Cansada, sabe? 
Sei lá, me deu vontade de correr até a Galeria do Rock e comprar uns CDs que eu sempre quis. Ou ir ao cinema, ou voltar pra casa e ler, ou, simplesmente, não fazer nada.
Estou decidindo. Mas uma coisa é certa: o que quer que eu faça, tem de ser pra mim.
E por mim.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010



Pela manhã, recebi uma mensagem pelo celular, mas não acreditei.
Quando cheguei em casa, voei até o computador pra ver se era verdade.
Era!
Ganhei os links para baixar t.o.d.a.s as temporadas de Star Trek. E quando eu digo todas, eu digo todas.
Dia feliz!
Agora à noite, ganhei um filme da Mafalda.
Pô gente! Mafalda!
Noite feliz. Praticamente Natal.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Tem tanto erro no post anterior, que, de verdade, estou com preguiça de consertar.
Sei que meus poucos e queridos leitores perdoarão. Certo? :P
Vou culpar o cansaço e o sono. :)

Como bônus, uma das músicas mais lindas do mundo.
Bom, pelo menos, eu amo. E David Bowie é David Bowie.
Antes que eu me esqueça: o vídeo fui "surrupiado", sem um pingo de constrangimento, de um conhecido com bom gosto. Ele não me lê, mas tks. :)

É isso.
Enjoy!



domingo, 15 de agosto de 2010

 (Yerka)

Está tão frio, tão frio, que os meus dedinhos dos pés não se mexem. Congelaram, tadinhos. E eu estou com uma meia daquelas peludinhas, sabe? E pantufas!
Eu gosto de frio, todo mundo que me conhece sabe. Mas... isto é uma geladeira dentro de um freezer. Nossa, nossa!
Mas tudo bem, melhor assim que passar calor. O difícil é sair da cama e tomar banho. Mas, em compensação, dá para fazer coisas bacanas, como um fondue especial e tomar vinho com os amigos.
Falar nisso, ontem teve festa. E foi no Café Piu Piu. Eu disse que voltaria lá, não disse?
Estava muito cheio e tinha muita gente novinha. Isso foi chato, mas de resto, muito bom. Tocaram até Rush. :P

Ah! A Bienal de Livros começou. E este ano eu não vou. Sinceramente? Já passei por quatro e todas foram iguais. Desta vez e com esse frio, vou ficar por aqui.

Na sexta, decidi pegar a Marginal Tietê para ir trabalhar. Adivinhe. Teve um incêndio em uma favela que fica perto do Corinthians e o trânsito simplesmente parou. A Marginal virou um estacionamento e eu quase morri de vontade de fazer xixi. Foi trágico. Minha agonia era tanto que eu nem conseguia respirar. Quando eu estacionei, deixei tudo aberto, saí correndo e só depois voltei para pegar as minhas coisas. Juro!  Isso já aconteceu umas três vezes. Agora, além de Lidiane, estão me chamando de "Maria Mijona". Não é lindo? :P

Um sujeito esta semana me perguntou, indignado, por que não tenho Orkut, Twitter, Facebook, etc, etc.
Naturalmente ele não sabe (e nunca vai saber) que tenho o Transitivo. E que já tive outros vários blogs.
Pra mim é uma resposta bem simples. Já tive Orkut e Twitter antes de virar essa febre. Mas eu não gosto de me colocar em uma posição em que eu possa ser vista por quem quiser. Mesmo que eu não queira. Além do mais, eu prefiro ficar sabendo das coisas, pelo que as pessoas que eu gosto me contam, e não de um jeito, que nem sempre, é o melhor (para mim).
Questão de escolha. Fiz a minha e é isso aí.
Agora, isso não invalida trabalhar com essas ferramentas. Aliás, estou preparando, para um das minhas turmas,  uma atividade bacana sobre redes sociais. Vai ser divertido. Espero...

Sono chegando.
Boa noite e bons sonhos. 



domingo, 8 de agosto de 2010



O frio diminuiu e o céu está estrelado. 
O cheiro da noite de hoje me fez lembrar quando, há uns três anos, olhei para o infinito do céu depois do céu e citei Yeats.
Muito de mim se perdeu naquele tempo. E, seguramente, estou diferente. Não sei precisar exatamente como, mas, sim... diferente. Acho que deixei partir alguma coisa e, na tentativa de colar, percebi que nem tudo deve ser reconstituído. 
Nem sei porque estou falando nisso hoje, depois de tanto tempo. Talvez por estar sentindo um aperto esquisito no coração. O que quer que seja, vai passar.
Porque sempre passa.

"Tivesse eu os tecidos adornados do céu,
ornamentados com luzes d'ouro e prata...

...os tecidos azuis, indistintos e escuros
da noite, a luz e os meio-tons,
espalhá-los-ia a teus pés.

Mas eu, sendo pobre, tenho apenas
meus sonhos; espalhei-os, então, a
teus pés. Pisa com delicadeza,
pois caminhas sobre meus sonhos". 

W.B. Yeats

 (Bichinhos de Jardim - clique na tirinha para ler)

Depois de dias, cá estou eu. Vivinha da Silva e mortinha de sono. :P
As férias acabaram e a semana foi bem agitada, como já era de se esperar.
Mas, contrariando as minhas expectativas, estou até bem humorada. Apesar de uma sexta-feira completamente insana. Nossa, nossa, saí exaurida do trabalho.
O bacana é que revi algumas pessoas que gosto e conheci outras.
Entre elas um astrofísico.
É, você leu certo: astrofísico.
Eu nem sei porque a história foi parar nisso, mas lembro de ter falado na "rodinha" como adorava olhar o céu e por tabela, ir ao planetário do Ibirapuera O sujeito riu e perguntou o porquê. Respondi, né? Sou educadinha.
Foi então que ele "se apresentou". Todo mundo adorou. E, ele nos prometeu montar um curso de astrônomo amador na universidade.
Sério mesmo, estou torcendo pra que dê certo. É uma das coisas que gostaria de realizar na vida.  

 (Alex Andreyev - Private Party)

Às quintas, divido uma turma com a minha "chefe", uns 20 anos mais velha. A aula de abertura foi dela e, vou ser bem sincera: dificilmente me impressiono. Sou exigente e crítica, como você já bem sabe. Mas, tiro o meu chapéu. Como foi bom pra mim! 
Estou com muitas dúvidas em relação a minha carreira, sabe? Não sei bem a que linha de estudo seguir, ao que me entregar. Tenho de escolher um tema para um trabalho e, não sou boa nisso. Eu só gosto de escrever e estudar movida pela paixão. Foi assim na especialização, foi assim no mestrado. Paixão pelo tema, paixão pela possibilidade de me transformar e ajudar a transformar o mundo... Agora, novamente, estou nesse impasse. Olho para os lados e não sinto nada. Meu corpo não treme, minha mente não fervilha. 
Não sinto nada, além de preocupação de não sentir nada.
Eu sempre acreditei em paixão, inspiração e vontade, mas ultimamente, me sinto personagem de "O Processo", de Kafka. A burocracia me emperra e me entedia. 
Acho que estou na fase de decantar as ideias e beber outras tantas. Mas o ideal é diferente do real. A vida não espera e o mundo não funciona assim.
Não posso, simplesmente, parar e descer, até minha mente clarear. E, então, voltar para que a vida siga seu curso.
Acho que a conselheira estelar tem razão: perco tempo demais divagando, por isso, vou ali dormir um pouco. Quem sabe, não resolvo algumas coisas enquanto durmo...
Sonhos são mágicos!

 



domingo, 1 de agosto de 2010

(Caco Galhardo - clique na tirinha para ampliar)

Eu adoro essa série "Lili, a ex", do Caco Galhardo. Você já conhece?  Tirinhas sempre me divertem (e acalmam).
Falar nisso, terminei de ler os três livros do Quino que trouxe da Argentina. O homem é genial.
Mas não vou mentir, fiquei feliz mesmo em conseguir comprar uma edição comemorativa de 30 anos de um Castaneda. Em espanhol. Já estou lendo e adorando. É bem verdade que tenho o mesmo livro em português, mas ler "A erva do diabo" em espanhol está sendo uma experiência e tanto.
Livros do Castaneda são sempre especiais pra mim. Não importa o que digam dele. Eu tenho todos os títulos que já consegui achar e comprar. Todos mesmo.
Aliás, quando vi que esse tem o prefácio de Octavio Paz, secretamente dei um sorriso. Se o Octavio Paz, que é Octavio Paz gosta, estou no caminho certo. E, acho, sem manter segredos, que ele está coberto de razão. Autores diferentes devem ser lidos de formas diferentes. Os detalhes, o contexto, as entrelinhas, a história, a finalidade do leitor, tudo, tudo deve ser ponderado. Há quem prefira o literal. Eu não. Castaneda levado ao pé da letra pode ser um completo desastre. Talvez, por isso, tanta gente tenha embarcado em uma onda errada. Mas enfim, cada um com seu infinito.
Ah! Também estou em uma semana cinematográfica. Além da deliciosa trilogia de "O Poderoso Chefão", assisti "O Céu que nos Protege", do Bertolucci. John Malkovich é sempre desconsertante para mim. Acho que são os olhos, o jeito de mexer com a cabeça... não sei. O que sei, de fato, é que, além da beleza do filme, há coisas ali que me tocam profundamente. Sobretudo, em um momento de definições e escolhas, como agora. 
Se já assistiu, acho que sabe do que falo. 
Se ainda não assistiu, por favor, faça isso sozinho. Sem pipocas.
E como a leveza é importante na vida, também vi (no cinema) "O Pequeno Nicolau". Eu gosto de filmes franceses, isso é fato, mas esse foi uma adorável surpresa. Tão lindinho que dá vontade de ter filhos só pra poder assistir com eles.
Tá, agora exagerei! Acho que é porque hoje, dia 1º, seria o aniversário do meu pai. 
Uma vez, em um contexto mais ou menos parecido, um amigo disse que sou sentimental, tal qual o Tom Hanks, em "O Terminal".
Acho que sou mesmo.
Muito. 
Sentimental, séria e, às vezes, confusa.
Mas, garanto, existem poucas como eu no mundo.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

(Cena de O Poderoso Chefão)


O que você faz quando perde o sono?
Eu fui pra sala e assisti à "O Poderoso Chefão" (The Godfather).
É inacreditável como eu gosto. 
Poderia ficar horas e horas ouvindo Don Corleone falar.
Hoje eu vou ver a parte II. E espero ver a parte III antes das férias acabarem (esse assunto me dá tremedeira).
Todo mundo diz que "O Poderoso Chefão" é filme de menino. Mas não é, não.
Isso é bobagem sexista.
É um filme pra sempre.
Amo!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

(Vito Campanella)

Desde que tomei essa bendita vacina H1N1, eu tenho uma crise de gripe, respiratória ou sei lá, atrás da outra.
Já foram três. 
A de hoje foi forte. E começou na segunda.
Cheguei hoje no hospital sem respirar direito. E tudo por causa de uma bendida escova progressiva que uma dona estava fazendo no salão enquanto eu estava lá. Por isso odeio essas químicas de salão.
Como as pessoas sobrevivem com isso na cabeça?
Bom, isso deve explicar muita coisa, né? Esse treco deve entrar pelos poros do cabeça e derreter o cérebro. 
E, claro, entupir narizes alheios.
Mas tudo tem as suas compensações. Adoro diálogos de sala de espera:
- O médico me disse que estou com problemas hepáticos.
- Mas você bebe muita água?
- Mais ou menos, eu não gosto de água.
- Então deve ser por isso que está com problemas nos rins.

Não é reconfortante?
:P
De qualquer forma, depois de uma injeção de corticóide, uma inalação e um comprido de anti-alérgico, já respiro um pouco melhor.



terça-feira, 27 de julho de 2010

 (Recoleta, em Buenos Aires)

Buenos Aires é uma cidade mui hermosa. Mesmo. De fato, toma-se vinho bom e barato a qualquer hora e em qualquer lugar, há cafés em cada esquina e vi muitas livrarias. Mas o melhor, o melhor mesmo, é a sensação de estar em uma mistura de Rio de Janeiro e São Paulo. As avenidas largas, charmosas e arborizadas se parecem com o Centro do Rio. O clima, a arquitetura e o ritmo da cidade lembram São Paulo.
Foram apenas cinco dias, e passada a euforia do novo, é sempre (muito) bom voltar pra casa.

A verdade é que não levei máquina. Queria descompromisso com tudo. Até mesmo com o meu olhar sobre a cidade. 
Isso está guardado na minha memória afetiva.
Eu sei que pra vocês, fissurados em fotografia, não levar máquina parece uma heresia. Mas, entendam. Meus sentidos todos se misturam e vejo bem menos com os olhos do que com o corpo. Então...
De qualquer forma, há fotos da viagem e, como eu prometi, aqui estão algumas.
Espero que nas férias do ano que vem, eu tenha mais fotos de outros lugares para mostrar.
É o que eu mais desejo.

1º dia - Do aeroporto para a noite de Buenos Aires
Antes de sair do aeroporto, levei uma bronca. Enquanto esperava, saí (distraída) pela entrada da polícia federal. Detalhe, eu já tinha carimbado o "visto" e poderia transitar por onde bem quisesse. Los hermanos não foram muito educados. Turista não deveria ser bem tratado?
Acho que eles perderam essa aula na escola.

Ah, não tenho fotos dessa noite. Mas fomos a um bar, no bairro de Palermo. Que é dividido por "áreas". No nosso caso, o Palermo Soho. 
A música era tão alta que quase fiquei surda, mas tudo bem, estava lá para aproveitar. Logo no primeiro dia percebi que em Buenos Aires se come "empanada" em qualquer lugar. E que a batata frita deles é ruim. Mas em compensação, o vinho é barato e a cerveja, forte e gostosa.
Ah! O nome do bar era Macondo. 
Macondo é a cidade onde moram os personagens de Cem Anos de Solidão, de Garcia Marquez. Que é colombiano. 
Quem entende?
O detalhe bizarro ficou por conta da música. Ouvimos de um tudo no bar (no volume mais alto). Desde rock argentino a funk brasileiro. Com especial atenção para a música do filme Tropa de Elite.
Pá pá pá pá pá pá pá...
E... o telão exibia umas cenas que pareciam saídas do Canal Playboy. 
Parece que os argentinos são mais liberais que os brasileiros, porque, sério mesmo, nunca vi disso por aqui. E, não, o bar não era um "inferninho".

2º dia:
City tour pela cidade.
E sol.
Mas quem disse que o sol amenizou o frio? Passei um frio inacreditável.


Essa é a Avenida 9 de Julio. Larga e linda. Ficamos na Avenida Santa Fé, que cruza a 9 de Julio.


Aqui, o estádio do Boca Juniors. Um dos times de lá. Argentinos são fanáticos por futebol. O Boca é como se fosse o Corinthians daqui. A visita ao estádio é obrigatória e divertida.
O detalhe fica por conta da propanda da Coca-Cola, toda em P&B. 
O principal rival do Boca é o River Place, que tem o vermelho como cor, então, a Coca, pra não contrariar...




(Caminito)

O meu lugar preferido em Buenos Aires foi o Caminito (de La Boca). Fica no bairro do Boca e não é exatamente uma área nobre da cidade.
É uma espécie de Pelourinho de lá (guardadas as devidas proporções históricas e físicas).
Foi todo restaurado e hoje as casas são pintadas em cores diferentes e alegres. Há uma feira bacana lá. Você encontra desde cachecol até telas. 
Sem contar que você pode tirar fotos com sósias do Maradona e com dançarinas de tango. Preferi comprar cachecol e telas. :P
Ah! Foi lá que levei a cantada mais non sense da minha vida:
- Quem você acha mais bonito? Os argentinos ou os brasileiros? 
- Os argentinos (falei a verdade, mas em um espanhol macarrônico).
Ele sorri, me mostra outro cachecol, coloca no meu pescoço e diz algo mais ou menos assim:
- E nós ainda cozinhamos, lavamos os pratos, sabemos cuidar da casa e fazemos amor todos os dias. Que tal?
- Não obrigada, mas eu fico com esse cachecol aqui. 
(Depois dessa eu tinha de comprar alguma coisa, né?)
:P

O city tour terminou à tarde. Saímos pra bater perna e descobrir como vivem as pessoas lá. E, claro, fizemos compras.
O detalhe foi o frio inacreditável que passei. 


À noite fomos para um bar no Palermo Hollywood tomar vinho e ver gente.
A comédia da noite. Como não conhecíamos nada, fomos olhando, perguntando e pesquisando. Entramos (sem saber) em um bar que estava tocando Heavy Metal argentino.
De trágico, ficou cómico.
Detalhe: a batata frita que pedimos era feita com batata doce e o som estava tão alto que pra conversar, berrávamos. Minha prima (que também foi), achou um saco e dormiu (!!!!!!!).
No final, saímos rindo, de madrugada, pelas ruas. 

Decidimos parar em um café (quase de manhã), comer uma pizza e tomar vinho.
É, eu sei...
Esse foi o prenúncio de uma constatação: a vida noturna aqui é muito (muito) melhor (e mais cara).

3º dia: bater perna pela cidade e à noite t.a.n.g.o


As fotos são do que vimos e gostamos em Buenos Aires.
Muitos prédios lindos, muitas estátuas e mais táxi que gente. Impressionante!





(na casa de tango La Ventana)


4º dia: tempestade (!!!), passeio de barco e la ventania, museu de Belas Artes. À noite, teatro.

Esse foi o dia mais bizarro de todos. Fomos passear de trem e depois de barco em Mar del Plata. Depois desembarcamos em Porto Madero. Um bairro novo e chique de Buenos Aires, onde fica o porto. 
Simplesmente, pegamos uma tempestade. 
Eu não conseguia ficar parada em pé. O vento me empurrava. Você imagina a força do vento pra conseguir me empurrar?
Entramos correndo em um hotel e tchammmmm! Era o Hilton. 
Todo mundo molhado e exausto entrando no Hilton.
Precisa dizer mais nada, né?
À noite, ainda viva e seca, assisti a peça El Anatomista. E, sim, entendi tudo.
Ou quase tudo.
:P
Fim de noite em um café (meio borracha). Acho que tomei vinho todos os dias na hora do almoço e no jantar.



(eu, completamente molhada)

(eu, tentando ficar seca)


5º e último dia: a livraria mais linda do mundo (ou quase)

Como íamos viajar à noite, passamos o dia passeando.
Visitei a segunda livraria mais linda do mundo: El Ateneo. Era, originalmente, um teatro, daí os camarotes, o palco (que se tornou um café).
Incrível, mas parece que há uma livraria na Holanda mais bonita ainda.
O detalhe é que não achei nada do Quino (autor da Mafalda) lá. E, havia mais Paulo Coelho que Jorge Luis Borges nas estantes, que por acaso, assim como o Quino é argentino.
Em compensação,comprei muita coisa em outra livraria, muito menor, mas bem charmosinha e mais sortida.
Também andei de metrô, que é a coisa mais estranha do mundo. Parece um trem da Central do Brasil, no Rio.
O fechamento de portas é manual. Um sujeito coloca a cabeça pra fora do vagão, vê se há mais alguém entrando, e aperta um botão para fechar as portas.
Imagine isso na Sé, às 18h. Eu morro de rir só de pensar. O cara ia ficar a vida inteira com a cabeça do lado de fora. O metrô do Rio e de São Paulo dão um show em comparação ao de Buenos Aires.
Ahhhhhhh! A melhor parte: um das linhas tem metrô sanfonado. Sabe aqueles ônibus enormes de dois ou três "carros". O que os liga são aquelas sanfonas, certo? No metrô de Buenos Aires é igualzinho. Por isso eles fazem aquelas curvas tão radicais e balançam.
Se você for a Buenos Aires, por favor, ande de táxi.

(Livraria El Ateneo)


segunda-feira, 26 de julho de 2010

 
(Pesare) 

De uns dias pra cá, ando tendo sonhos muito estranhos e reais.
Não gosto muito dessa sensação. 
O mais esquisito é que agora há pouco senti o mesmo que em um sonho antigo.
Lembro disso porque marcou. 
Estou torcendo pra que seja só mais uma fase de esquisitices. De qualquer forma, por enquanto, meus sonhos, são apenas sonhos.

P.S. Troquei, com a minha irmã, meu smartphone por um celular mais simples. Vamos ver agora. Esse não tem nem metade das funções do outro, mas tem TV e é mais simples de usar. :P
Acho que ela saiu perdendo.



sexta-feira, 23 de julho de 2010


(Laerte - clique na tirinha para ampliar)

Pois é, sei que estou devendo as tais fotos da viagem. Mas, desde que cheguei, não consegui parar um segundo sequer. Muita coisa pra colocar em ordem antes das férias acabarem e, confesso, tenho aproveitado o resto do tempo que me resta na rua. Na quarta fui ver Toy Story 3. Coisa mais fofa. Além de ser esteticamente perfeito, a história é uma graça. Morri de chorar. Culpa da TPM, clarooooo! :P
A minha única decepção veio depois do cinema. Trocaram o chope da Brahma de um bar na Paulista que eu gosto pelo chope da Heineken. Quem vê assim até acredita que eu bebo sempre. Não bebo. Mas é que é uma espécie de tradição ir lá todo começo e fim de semestre. E o chope da Brahma é o único que tomo sem fazer careta.
Mas, está valendo. O que importa é estar entre amigos. Certo?

Ontem fui ao teatro. A peça que vi é uma comédia escrachada. A verdade é que prefiro um outro tipo de humor. Um pouco mais refinado e menos óbvio. Só que, quer saber? Eu dei muita risada, então, valeu.
O detalhe ficou por conta do meu pânico ao perceber que a peça tinha interação com o público.
Eu tenho pavor dessas coisas. Só de me imaginar sendo abordada por um ator no meio da peça, já começo a tremer. Mas, milagrosamente, a "interação" foi feita de outra maneira. E eu me livrei de mais uma.
Ah! O meu ingresso foi de graça. Estava na fila e um moço bonzinho ofereceu um ingresso que ele tinha a mais. Ele não quis vender. Apenas deu. Assim, na maior simplicidade. E foi pro canto dele.

Hoje foi dia de acupuntura, médico, banco, mercado e visitar amigos queridos. Estou mortinha. Mas, foi bom. Todos gostaram dos presentinhos. Só meus pés é que estão reclamando.
Assim que estacionei o carro, pensei: agora vou dormir até segunda-feira. Não demorou um minuto e o telefone tocou. Amanhã tem almoço com duas amigas. Pelo cansaço, eu deveria recusar, mas aí lembrei que estou de férias e que elas acabam logo, logo.
Se você está aqui, me conhece. E se me conhece, sabe o quanto prezo estar entre as pessoas que amo. Mesmo que na maioria das vezes, adore ficar sozinha.
Acho que é esse meu ascendente esquisito.

Hoje teve uma parte bizarra também: peguei c-a-r-o-n-a com um motorista de táxi.
Fui pro médico de metrô. Facinho pra chegar. Uma descida bem íngreme, mas uma descida. E na hora de voltar? Sol forte, salto e uma molezaaaaaaaa.
Não tinha táxi na rua, até que passou um e eu quase voei em cima dele. O senhorzinho parou, disse que não podia me levar porque ia entregar uma encomenda, mas me dava uma carona até o fim da ladeira.
Quando eu contei isso aqui em casa ouvi: essas coisas esquisitas só acontecem com você.
Será? Sei não...

Ah! Formatei o note. E, claro, por preguiça, não importei os emails que tinha no programa antigo. Será que você pode, por favor, me mandar um email só pra eu cadastrar aqui?
Pela atenção, obrigada.
:P


terça-feira, 20 de julho de 2010


Cheguei esta madrugada.
Buenos Aires é linda.
Vou descansar um pouquinho e depois mostro as fotos.

quinta-feira, 15 de julho de 2010


Ontem eu ganhei a trilogia "O Poderoso Chefão", assim, meio que do nada. No estilo: 
- Tó pra você.
Nossa, nossa, nossa! Minha cara de felicidade foi tão evidente que fiquei até meio envergonhada. Mas, poxa! Não é só um mimo. É preciso me conhecer pra acertar assim.

Como uma pessoa pode ter todos os livros que eu quero e não li? Fui passando os olhos e morrendo de vontade de levar todos pra casa, mas não dá. Pelo menos, por enquanto. Deu um aperto no coração...

E a chuva não pára. Castigando mesmo.
Urg!

Ontem, experimentei aquele vestido que eu só uso "para ver deus" e adivinhe: apertado (muito apertado). 
É, preciso voltar para a ginástica e para as caminhadas. Urgente.
Mas, férias, né? :)

Falar nisso, meu note fica de folga a partir de hoje até a próxima segunda. Vai ser formatado. E eu quero um descanso.
Então, até semana que vem.



quarta-feira, 14 de julho de 2010

(Chema Madoz)

Chove tanto.
Tanto!
Um exagero de água por todos os lados.
E você sabe, eu, realmente, não gosto. Não desse jeito.
É ruim pra sair, pra andar, pra tudo.
Ou quase tudo. 
:P


terça-feira, 13 de julho de 2010

Sessão nostalgia total

Acabei de falar com amigo meu de Salvador. Ele está aqui e me mandou um email avisando.
Vasculhando o computador enquanto "conversávamos", achei uma foto nossa, da época em que fazíamos faculdade. Nem vou dizer quantos anos isso tem, porque é meio constrangedor, mas olha a foto aí.
Eu sou a de preto e cabelo compridão. Que aliás, hoje está médio (é, deixei crescer um tiquinho).
Dos cinco amigos da foto, mantenho contato com três deles. Que continuam sendo próximos e queridos.
Sinceramente, gosto disso em mim. Ter amigos de longa data e mantê-los perto, na medida do possível.



Achei mais uma foto. Essa é bem mais recente e foi tirada aqui em Sampa, há uns três anos. As meninas da foto também são amigas de faculdade. Uma delas mora aqui e é como se fosse uma irmã. A outra, mora em Salvador e está vindo, de novo, passear esta semana. Bom, né?




Outra da época da faculdade: eu e o mais querido e calmo dos amigos. Todo mundo perguntava se éramos irmãos. Eu sempre dizia que sim e ele dizia que não. :P
Desconfio que ele aprendeu a mentir na faculdade. Comigo.
Nessa foto, estávamos todos fazendo um trabalho na casa dele. Eu cansei e fui descansar. Lembro que foi um dos trabalhos mais angustiantes do mundo. Aliás, isso deu origem a uma lenda no nosso grupo: a família abacate. O layout mais tosco, verde e horroroso da Terra.
Valeu pela diversão (depois que o trabalho acabou, lógico).




Mudando de assunto, mas continuando na mesma linha, hoje é aniversário da minha amiga ruiva (amiga de anos e anos também, mas que não fez faculdde comigo, porque é advogada). Liguei agora há pouco pra ela (que mora em João Pessoa). Sei que ela vai ver essa foto super antiga e vai gostar, então, pra você ruiventa.
E, FELIZ ANIVERSÁRIO!



domingo, 11 de julho de 2010

(Vladmir Kush)

Eu tenho milhões de coisas pra fazer, mas a coragem não chega.
Sei que estou sendo irresponsável, mas, por favor, né? Passei o semestre inteiro correndo feito uma louca e, agora, nesses primeiros dias de férias, deixei pra lá todas as minhas urgências.
Estou me sentindo a rainha da enrolação. A princesa da preguiça e a condessa do depois eu penso nisso.
Não leio os emails direito, não respondo ninguém, quase não retorno as ligações e olho, com ares de desdém, para pilhas e pilhas de coisas espalhadas pela casa precisando de providência ou de serem rasgadas e "afetuosamente, enviadas para o lixo.
Preguiça, preguiça, preguiça.
Não consigo pensar, não consigo responder, só quero ficar na rua, batendo perna pra cima e pra baixo, olhando o mundo, conversando com as pessoas e comprando bobagens. E é isso que eu tenho feito. Não paro em casa.
Também não consigo me concentrar em uma leitura séria. Tenho três Pierre Lévy me esperando, um Castells, e muita coisa boa (e necessária) que comprei durante o semestre. Mas, sinceramente, mal consigo terminar de ler as quatro Piauí atrasadas ao lado da minha cama.
Acho que tenho, aqui, uns seis ou sete livros iniciados e não finalizados. Todos bons. Todos interessantes, todos merecedores da minha atenção, mas cadê a concentração? A minha tentativa de ler Crime e Castigo está sendo quase hercúlea. Henry Miller é o amor da minha vida e mal consigo terminar uma página de Primavera Negra. Nem revistinhas da Mônica escapam do meu desinteresse.
Isso me lembra um trecho de um livro do Conan Doyle. Acho que, Signo dos Quatro.
Sherlock Holmes, em mais uma de suas colocações, diz que a mente, ao contrário do que todos acreditam, não é elástica. Existe um número máximo de informações que cabem nela. Por isso, ele só guarda coisas importantes.
Eu queria saber esvaziar a minha mente. Ela está cheia de bobagens e referências que não servem para nada. Ou para quase nada. Gostaria de ter esse poder. Aliás, quem não gostaria?
Falar nisso, não estou conseguindo dormir direito. Ansiedade, provavelmente. Ainda bem que existe chá de camomila para essas horas. E, sim, tudo isso tem um motivo. Um deles, provavelmente, é a vontade de transformar o meu cotidiano. Vivo em um constante jogo de interesses comigo mesma. Eu gosto do novo. De mentes ardentes, de pessoas interessantes e inteligentes, mas vivo cercada por minhas convicções e pelo médio. E eu me sinto na média, por isso. Enquanto a minha mente voa, as obrigações me puxam de volta para baixo. Me incomoda saber que ainda não consegui me libertar desse ranço burocrático, suburbano e classe média no qual eu estou mergulhada. No qual, eu mesma mergulhei.
Provavelmente, a maioria dos meus problemas são de origem familiar. Problemas freudianos, diriam os mais incautos. Eu também acho que são. Tenho uma dificuldade muito grande em lidar com o cotidiano, que gera a consequente intimidade entre as pessoas. O "todo-dia" me irrita. E, sim, muitas vezes, eu me sinto muito mais à vontade sozinha, do que acompanhada.  Isso talvez seja fruto da minha criação asséptica. Mas, já estou grandinha para saber lidar com isso. Todo mundo aprende, uma hora ou outra. 
Talvez, a liberdade, signifique para mim, o contrário do que significa para a maioria.
Para mim, é muito fácil lidar com o desapego. Com o descompromisso.
Difícil mesmo, é lidar com o afeto. Com relações duradouras, com o cotidiano e com o saber receber na mesma proporção que se dá.
Parece estranho para você? 
Pra mim, isso só é a página dois de um livro que começa onde termina o óbvio e que dorme na estante da biblioteca de Babel.
Não entendeu isso?
É sinal de que você pode até me conhecer, mas não conhece o que eu amo.