sábado, 30 de outubro de 2010

(Yerka)

Há dias não apareço aqui. Aliás, isso é mentira. Há dias ensaio o que escrever e vou fazer outra coisa. Qualquer outra coisa.
Me perdi. Completamente. As coisas se avolumam e minha casa está de cabeça pra baixo. Por causa da sede, deixo garrafinhas vazias de água por onde passo. E eu lembro de um pedaço de uma das mil músicas do Chico: "um copo vazio está cheio de ar". Mas não canto, porque é tão raro ficar sozinha em casa, que nem a minha voz quero escutar. O silêncio é melhor.
Quer dizer, um silêncio de mentira, porque o (terrível) karaoquê no bar aqui perto começou. Normalmente, não me incomoda, porque, ou estou cansada e durmo. Ou só escuto o começo das músicas e saio. Os dias estavam movimentados. Ainda estão, mas não aos sábados à noite. Dei um basta na minha boemia fajuta. Pelo menos, por enquanto. Neste feriado, quero ficar sozinha. Só comigo, filmes e garrafinhas de água.
Minha pressão hoje estava alta. Por isso, essa dor de cabeça que não pára. Vi metade de uns filmes malucos na TV, não fui à terapia, comi granola no potinho e comprei doce de leite. TPM é realmente uma porcaria.
Perdi, há uns dois meses, minha correntinha de ouro. Ela estava comigo desde sempre, acho que há uns trinta anos (é sério). É tão estranho olhar meu pescoço nu... mas, por mais patético que pareça, acho que isso marcou um novo recomeço. Houve uma época, em que eu enxergava mágica em tudo o que via. Hoje, não consigo. Tento, mas não consigo. Quando percebi que havia perdido a corrente, a única coisa que consegui pensar foi em um novo recomeço. Então, que isso seja parte da mágica.
Meu cabelo estava grandão. Cortei na quarta-feira. Na verdade, cortei para deixar crescer. Coisas de mulher. Cabelo cacheado crescendo "sem corte" é o fim. Não dava para perceber "o sem corte", porque, ultimamente, ele sempre estava escovado e liso. Mas, esses dias, deixei cacheado. Naquela de tomar banho e sair com o cabelo molhado. Segunda, ele sentirá o poder da escova de novo. :P
Vi "Bastardos Inglórios" (com meses de atraso). Adivinhe... Adorei. Qualquer coisa feita pelo Tarantino, eu assisto sem medo. Mas... é impressão minha ou o Brad Pitt estava fazendo a boca do Don Corleone, em "O Poderoso Chefão"? 
Ainda não vi "Tropa de Elite 2". Esperando (ansiosa) o melhor dia. O mesmo para "Comer, Rezar e Amar". Eu sei que é filme de mulherzinha, mas é bom lembrar que sou mulherzinha, mesmo que não goste de rosa. :P
Estou com duas queimaduras no cantos da boca. Acho que bebi alguma coisa ácida e saí por aí. Dermatologista na sexta. Mais essa.
Acho que vou usar aparelho pra sempre. Ia tirar no fim de outubro, mas ele ainda está aqui. Então...
Esses dias eu estava lendo a Bravo e percebi o quanto me afastei das coisas que adoro. Ano que vem, quero, pelo menos, ter tempo pra ir ao cinema e pra dormir. Trabalho como uma desesperada, ganho um pouco mais e, o detalhe: não tenho tempo para administrar isso. Aí, gasto mais do que posso. Então, não adianta nada, certo?
Dois casamentos em novembro. Semana que vem começa a odisséia em busca dos vestidos. E dos sapatos. Meus pés estão doendo só de pensar. Mas, tudo bem, no fim, eu sempre me divirto. 

Não vou revisar e nem ler de novo o que escrevi, senão, já sabe. Este post vai pro lixo.
E sabe, continuo gostando dessa idéia (ainda com acento) de não ter audiência. É tão mais confortável ter um blog quase secreto... Eu gostava do Giramundo, mas a época era outra. :)

2 comentários:

Boneca quebrada disse...

Delícia de texto, de escrita fluída. E me vi no teu filme de finados, igualzinha. Garrafinhas e TV, solidão relativa, a bagunça e alegria da vizinhança que come e bebe e gargalha. Casa vazia é bem bom, às vezes. Mas ainda tenho meu cordão de prata no seu devido lugar. Ótimo blog.

Pablo Carvalho disse...

Leitores você tem, que eu não te abandono jamais, mesmo em silêncio. Eu compartilho contigo a saudade que o silêncio deixa quando nos é roubado pelo cotidiano. a manha é voltar pra casa de carro, de noite, vidros levantados, som desligado. Silêncio relativo, paliativo nas buzinas abafadas, mas sorvido sôfrego como as garrafas de água no calor. Ou saboreado aos poucos como o doce de leite, o carro sem pressa pelas ruas e avenidas. Mega Abraço.